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sábado, 21 de maio de 2011

Dentes construídos com células-tronco

Notícia retirada do Portal Terra.

Todo o processo se baseia nas técnicas da chamada engenharia tecidual. Foto: Unifesp/Divulgação


Pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) tentam desenvolver dentes a partir de moldes biodegradáveis e células-tronco. Os primeiros experimentos, feitos em ratos, já mostraram resultados positivos e os cientistas conseguiram criar dentes nos animais.


As células-tronco são depositadas dentro dos moldes e nele cresce o dente. "Entretanto, nos primeiros ensaios, nós não tínhamos o controle da forma do dente, nem do seu volume", diz a pesquisadora.


"Esses implantes também foram positivos, mas isso em caráter experimental. Agora nós avançamos nas pesquisas e estamos coletando células de descarte de dentes humanos e processando essas células em laboratório, analisando em quanto tempo elas mineralizam, qual é a estabilidade delas e a saúde destas células. Estamos colocando isso num arcabouço, que tecnicamente se chama de scaffold, na forma de dentes, e estamos implantando isso em animais que não tem imunidade, que é pra não causar rejeição", disse a pesquisadora.


Essa estrutura, utilizando material bioreabsorvível ou biocompatível, tem completa aceitação no organismo, fazendo com que as células se amoldem e se diferenciem dentro dela. Após o processo de diferenciação celular, o organismo reabsorve os elementos e deixa a estrutura do dente feita. "Então, com essa estratégia, é possível regenerar dentes, e não mais repará-los, apenas", diz.


Rejeição:
A rejeição não é um fator problemático quando o próprio receptor fornece as células. Mas em casos onde isso não é possível, a pesquisadora diz que optaria pela tecnologia já disponível nos dias de hoje, que é a dos implantes metálicos."

Os cientistas ainda não têm certeza de que o material biológico possa ser devolvido para os indivíduos sem o risco de promover a formação de um tumor, ou de outro tecido que não era o esperado.


As células-tronco têm potencial para revolucionar a medicina de uma forma espetacular, comparável à descoberta dos antibióticos. É claro que tudo isso é muito novo ainda. Faltam muitos testes para aprimorar as técnicas de construção de novas estruturas corporais com células tronco. Ainda existe um risco grande de se criar um tumor ao invés do órgão desejado... e por aí vai. Contudo, essas células especiais com potencial para se transformar nos outros tipos de células que possuímos dão asas à nossa imaginação. Podemos vislumbrar para um futuro um pouco distante (algo para ser concluído e aproveitado por nossos descendentes) até mesmo aquelas curas que nenhum messias fez. Algo como dar uma nova perna para um amputado, por exemplo.









domingo, 6 de março de 2011

Possível cura para a AIDS: muito arriscada e para poucos.

Notícia retirada na íntegra do portal Terra


Ano passado, médicos em Berlim ganharam destaque internacional ao divulgar o caso de um paciente que foi declarado curado da aids. Agora, médicos do centro de câncer M. D. Anderson, em Houston, no Estado americano do Texas, pretendem desenvolver um tratamento para tentar curar portadores do HIV e de alguns tipos de câncer baseado no caso alemão. Contudo, o processo só seria aplicado em poucos pacientes, e seria perigoso. As informações são do site Live Science.

O paciente de Berlim foi curado da aids após receber um transplante de medula de uma pessoa que tem células resistentes ao HIV. Os médicos americanos esperam conseguir transformar células-tronco umbilicais em células da medula resistentes ao HIV para serem transplantadas nos pacientes. Contudo, afirmam os pesquisadores, cerca de um terço das pessoas que recebem doação de medula não sobrevivem ao transplante. Além disso, apenas um grupo pequeno de pacientes, que tenha HIV e tipos específicos de câncer, seria beneficiado.

Segundo os pesquisadores, o desenvolvimento desse tratamento seria uma evolução rumo ao fim das drogas contra a aids. Se por um lado os remédios garantem uma vida longa para a maioria dos portadores da doença, eles podem causar muitos efeitos colaterais, como diarreia e náusea e até problemas mais graves.

Resistência ao HIV

Os pesquisadores acreditam que menos de 1% da população mundial tenha resistência ao HIV. Essas pessoas têm uma mutação, chamada de delta-32, que afeta a proteína CCR5. Essa proteína é a porta da entrada do vírus nas células do sistema imunológico.

O geneticista Richard Behringer, que lidera o estudo, e sua equipe receberam cerca de 1,5 mil doações de cordões umbilicais de três hospitais de Houston. Dez eram de bebês resistentes ao HIV, duas não passaram no controle de qualidade para transplante e as oito restantes esperam um paciente em potencial para o transplante.

Riscos

Segundo Behringer, o transplante de medula apresenta diversos riscos. Além de uma possível rejeição, a medula transplantada pode "atacar" o resto do corpo. Devido ao alto risco de morte, os pacientes que têm apenas o HIV seriam descartados, sobrando aqueles que sofrem do vírus e que também precisam do transplante - sofrem de leucemia - e correm risco de morrer.

Transformação de células

O caso do paciente de Berlim já inspira outros estudos pelo planeta. Na própria Alemanha, pesquisadores tentam transformar células de portadores de HIV em resistentes ao vírus. Os pesquisadores, nesse caso, coletam células-tronco do próprio paciente e, após as transformarem, as reimplantariam na corrente sanguínea dele. Esta pesquisa, no entanto, está apenas no seu início e ainda não foi testada em humanos.

Outro estudo, do hospital da cidade de Hope, na Califórnia, com conceito similar, injetou células-tronco modificadas em pacientes. Contudo, essas células não tinham apenas o CCR5 modificado, mas sofreram também uma série de mudanças para evitar que o HIV se adaptasse.
Uma pesquisa da instituição de pesquisa Quest, em São Francisco, também nos Estados Unidos, dispensou as células-tronco e tentou modificar diretamente as células do sistema imunológico. Neste caso, apesar dos bons resultados, o tempo curto de vida dessas células leva os médicos a prever um tratamento mais longo e complicado.

De acordo com a reportagem, todos os pesquisadores concordam que há ainda um longo caminho para se chegar a uma cura definitiva da aids, mas o paciente de Berlim já deu uma grande esperança.